Anoiteceu e amanheceu


ANOITECEU E AMANHECEU



Fabiano Mendonça
Professor e advogado público federal


O ano anoiteceu e amanheceu quente. Numa reviravolta de imaginários, sai um Natal caseiro, aconchegante e nevado para chegar, dias depois, um Réveillon caloroso, festivo e com banho de mar. Tudo isso ainda na oitava natalina.

Muito ou pouco, viver é aprender a se adaptar. O chato é quando os outros começam a ditar o quanto querem que você se adapte.

Tem lugar em que 15°C fazem as blusinhas de alça saírem das gavetas. Aqui, 24°C despertam do sono os casacos mais pesados. A diferença está nas estações "migratórias" e sua duração. O corpo humano se adapta.

A adequação atinge não só o corpo, mas todo o ser. Sofremos pressão por aceitar realidades inconvenientes, em nome da alegria mudamos a mente de uma hora para outra e suportamos os ambientes mais hostis em nome do sonho ou da necessidade.

Aqui fez 30°C na virada de ano. Muito? Pouco? Não importa. Adaptamo-nos. Mas fazemos isso para sobreviver, não apenas como organismo vivo, mas sobretudo como pessoas dotadas de dignidade. Esta pequena pausa é muito importante para forçar a reflexão e tomar gosto pela celebração e pela alegria de uma vida digna.

Um sonho para 2026? O que sempre sonhamos todos os anos: vamos mudar o mundo, vamos mudar o país, vamos mudar nossa vida. Porque anoitece, mas depois amanhece. 

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